O que é HDR?

Provavelmente você já usou ou já ouviu falar. Mas você sabe o que significa HDR?


Quero deixar claro que esse artigo será o mais resumido possível, ou seja, é voltado para leigos. É um esclarecimento, não tem intensão de ser um tutorial de como montar um fotografia em HDR. Em uma outra oportunidade podemos nos aprofundar no assunto.

 

Bom, primeiramente temos que conceituar o termo HDR. HDR é a sigla de High Dynamic Range, que em português significa “Alta Gama Dinâmica” ou “Ampla faixa dinâmica”.

 

Mas o que seria essa tal “Gama dinâmica”?

 

Para facilitar a entendimento, imagine que vivemos em um mundo “preto e branco”.  Esse mundo será representado pela escala abaixo:

 

 

 

 

De maneira bem resumida vamos considerar o quadro (X) como a região de altas luzes, o quadro (V) como tons médios e o quadro (0) como sombras.

A famosa “Gama Dinâmica” pode ser resumida como a quantidade de casas da escala acima que podem ser reproduzidas em um imagem. Pode parecer loucura, mas é assim que as nossas câmeras enxergam o mundo.

 

Mas o que isso tem haver com o assunto?

 

A grande sacada é entender que a gama dinâmica das câmeras digitais são muito menores se comparadas ao que olho humano é capaz de enxergar. Isso faz com que as cenas que contenham uma ampla variedade de tons (claros e escuros), saiam na fotografia bem diferentes da cena que estamos enxergando na realidade.

Nas situações onde a cena contém áreas muito claras, combinadas de sombras muito escuras, temos que optar se a fotometria será realizada nas chamadas “altas luzes” ou sombras “baixas luzes”.

 

 

 Na foto acima a fotometria foi feita nas altas luzes. Sendo assim, as sombras ficaram mais densas.

 

Nos celulares, podemos escolher a área de fotometria simplesmente arrastando o botão central (botão de foco) para a área desejada.

 

Arrastando o cursor, além de escolher onde queremos o foco, estamos definindo em qual área a câmera fará a leitura da luz (fotometria). Mesmo assim, podemos fazer o ajuste fino de intensidade de luz deslizando o dedo para cima e para baixo, como mostra a figura.

 

 

Sabendo que a Gama dinâmica das câmeras é reduzida, se fotometrarmos nas altas luzes, teremos sombras bem densas e talvez até áreas de preto absoluto, ou seja, perda total de textura. Ao mesmo tempo, se fotometrarmos nas baixas luzes, teremos as “altas luzes” estouradas e talvez, áreas de branco absoluto, ou seja, perda total de texturas.

  

Na imagem acima a fotometria foi feita na baixa luz (sombra), sendo assim, temos a modelo com detalhes, porém as áreas de alta luz estão perdendo detalhes em muitas áreas.

 

 

 

As fotos de contraluz (silhueta) são exemplos clássicos para entender a questão da gama dinâmica das câmeras. Como a fotometria foi feita de modo a preservar as cores do céu, a modelo que está na sombra apareceu como se estivesse totalmente sem iluminação.

Se essa mesma foto fosse feita com a fotometria na modelo, perderíamos as cores do céu e os detalhes como a cor da pele e roupas seriam revelados.

Muito provável que na cena acima, os nossos olhos pudessem notar os detalhes da modelo, mas devido à gama dinâmica reduzida da câmera os detalhes não puderam ser reproduzidos.

Resumindo: em situações de contraste, devemos decidir qual área devemos preservar, altas ou baixas luzes, cientes que haverão perdas na áreas opostas.

 

E o HDR, onde fica nessa história?

 

O HDR veio justamente para aumentar esse “alcance dinâmico”. Fazendo que tanto as altas luzes como as baixas luzes (sombras) sejam preservadas, diminuindo a relação de contraste.

O aplicativo no modo HDR, faz 3 ou mais fotos. Sendo uma superexposta (capturando detalhes das sombras), uma com a exposição na média (capturando os tons médios), e outra subexposta (capturando detalhes das altas luzes).

Depois das fotos capturadas, o software funde as 3 fotos em uma única imagem. Essa imagem terá tanto as regiões de altas luzes como baixas preservadas.

 

Opinião de quem vos escreve!

 

Algumas áreas da fotografia, como a de arquitetura de interiores, utilizam esse recurso. As três ou mais fotos são capturadas em arquivo RAW com a câmera apoiada em um bom tripé. Após isso, as imagens são fundidas em softwares específicos como o Photomatix Pro ou no Photoshop.

 

Perceba na foto acima que temos detalhes nos prédios que estão no lado de fora, ao mesmo tempo temos detalhes na parte interna do apartamento. Essa é uma situação típica para usar o HDR, pois geralmente temos muito mais luz na área externa causando um desequilíbrio de luzes. O HDR tem a finalidade de corrigir esse equilíbrio, mas temos que cuidar para não exagerar na pós produção.

 

 

Não sou aquela pessoa totalmente contra as fotos HDR, porém é necessário usar o recurso com cautela, pois se trata de uma manipulação digital, que quando mal feita, cria verdadeiras aberrações.

O HDR surgiu com a finalidade de igualar o alcance dinâmico das câmeras ao alcance dinâmico do olho humano, porém, boa parte das vezes o recurso passa dos limites, criando imagens que gritam: “EU SOU UMA HDR”.

 

 Acima temos uma foto em HDR. O tratamento exagerado faz com que a imagem deixe de ter o aspecto de fotografia.

 

Boa parte dos fotógrafos mais experientes tem pavor do uso do HDR justamente porque o que tem se propagado, principalmente no Instagram, são imagems como essa, carregadas de um tratamento exagerado.

 

O bom HDR é aquele que passa sem ser percebido!

 

Existem outras maneiras mais sutis de driblar esse lance da Gama Dinâmica, como o uso de Filtros Graduados e a Técnica do Cartão Preto, mas falaremos sobre isso em outra oportunidade.

 

Grande abraço! 

Thiago Morais dos Santos

Thiago Morais dos Santos

Thiago é fotógrafo e professor de fotografia. Formado pelo Instituto Federal do Paraná e pela Omicron Escola de Fotografia. Estudante do Curso de Licenciatura em Artes Visuais. Trabalha com fotografia de ensaios, eventos sociais e desenvolve projetos autorais na área documental e fotografia de natureza.